BRASILEIROS DEPORTADOS CONTAM COMO FORAM SEUS DIAS NAS PRISÕES DE IMIGRAÇÃO DOS EUA

Quarto avião fretado pelo governo americano chegou a Minas Gerais na sexta-feira (14); eles reclamam que passaram frio, fome e privação de sono; "A travessia não é difícil, difícil é ficar lá preso", disse um deles.


Publicado em 23 Fevereiro 2020

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BRASILEIROS DEPORTADOS CONTAM COMO FORAM SEUS DIAS NAS PRISÕES DE IMIGRAÇÃO DOS EUA

O governo dos EUA já deportou 330 brasileiros que tentaram entrar no País pela fronteira com o México em quatro voos desde outubro de 2019. O último avião fretado chegou ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins na região metropolitana de Belo Horizonte, na última sexta-feira (14). Neste voo estavam 80 brasileiros, entre eles, 40 menores de idade, segundo informações do aeroporto. Os voos foram fretados pelo governo americano.

 

Antes de serem mandados de volta, porém, eles ficaram detidos em prisões da Imigração e são comuns os relatos de que passaram ‘maus bocados’ durante o tempo em que estiveram presos.

 

“O tratamento é péssimo, péssimo mesmo. A gente dormia no chão”, relatou ao G1 a faxineira Gleiciana dos Santos, depois de desembarcar em Confins na sexta-feira. “Tem uma sala que eles dão uma manta, é frio. Eles não estão nem aí para criança gripada, doente, entendeu? Colocam todo mundo para dormir no chão”, completou Gleiciana.

 

O agricultor Valdir Ferreira da Silva, que é de Machadinha D’Oeste, em Rondônia, disse ao Portal R7 que foi com a esposa e a filha de 14 anos para “tentar uma vida melhor nos Estados Unidos”. Lá, eles foram separados e mantidos em salas afastadas. Durante os 16 dias que ficou no país, o homem relata ter passado por uma experiência “para nunca mais”.

 

“Muito frio, um pouco de fome, porque a comida é muito ruim, a gente não se adapta. Sem falar as horas que eles acordam a gente à noite, não deixam a gente dormir, toda hora fica chamando e se a pessoa não levanta eles gritam alto”, comentou.

 

A dona de casa Edinalva Lopes, o marido e os filhos de 9 e 12 anos passaram duas semanas entre detenções e abrigos nos Estados Unidos e no México. Depois de cruzarem a fronteira, eles se entregaram às autoridades e foram separados. O pai e o filho em uma cela, Edinalva e a filha em outra. “A travessia não é difícil, difícil é ficar lá, por causa dos maus tratos. A gente chora, a gente sofre, a gente quer sair”.

 

“Muito sofrido”, disse o agricultor Cleony Dias Lagasso, depois de desembarcar no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, na noite desta sexta-feira (7), junto com a esposa Joyce Lagasso e a filha de três anos do casal. A família – que ficou presa nos Estados Unidos durante 18 dias – chegou ao Brasil em um dos voos fretados.

 

Eles são da cidade de União Bandeirante, em Rondônia, e ainda teriam que conseguir um voo até lá. “Nós passamos pelo México, todo mundo faz, né? Para tentar a vida lá. Graças a Deus estamos bem de saúde”, afirmou Cleony. “Foi horrível”, completou Joyce.

 

O governo brasileiro não aceitava voos fretados com deportados desde 2006. Na época, a decisão foi tomada depois de uma CPI que investigou as deportações de brasileiros, o Itamaraty alterou a política de trato de brasileiros no exterior, incluindo aqueles acusados de imigração ilegal. (Com informações do G1 e Portal R7).

 

O Law Offices of Witer DeSiqueira, vem sempre alertando para este risco: Entrar de forma ilegal nos EUA. O risco é enorme na travessia, muitos morrem afogados no Rio Grande, outros morrem pelo deserto afora. A maioria dessas pessoas pagam fortunas para esses traficantes humanos (conhecidos por coiotes), para fazerem a coisa errada. Voltar para o Brasil em pouco tempo é vantagem para eles, ou senão ficariam por meses presos até o julgamento, no qual, na maioria das vezes, serão deportados do mesmo jeito. Não há o que culpar os governos brasileiro e norte americano sobre essa situação. Pois quem assumiu o risco e deciciu fazer a coisa errada infringindo lei é o próprio brasileiro.

 

Law Office of Witer DeSiqueira

Com colaboração: www.acheiusa.com

 

OBS.: O propósito deste artigo é informar as pessoas sobre imigração americana, jamais deverá ser considerado uma consultoria jurídica, cada caso tem suas nuances e maneiras diferentes de resolução. Esta matéria poderá ser considerada um anúncio pelas regras de conduta profissional do Estado da Califórnia e Nova York. Portanto, ao leitor é livre a decisão de consultar com um advogado local de imigração.