TRUMP ORDENA BOMBARDEIO E MATA GENERAL IRANIANO - DEMOCRATAS CONDENAM A AÇÃO

Bombardeio reacende debate sobre a Casa deve reduzir poderes de guerra do presidente; Trump se justifica: 'Soleimani matou ou feriu gravemente milhares de americanos'


Publicado em 03 Janeiro 2020
oglobo.oglobo.com

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TRUMP ORDENA BOMBARDEIO E MATA GENERAL IRANIANO - DEMOCRATAS CONDENAM A AÇÃO

WASHINGTON — A presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Nancy Pelosi, democrata e crítica contundente do presidente Donald Trump, condenou fortemente o ataque americano que matou o general iraniano Qasem Soleimani, e disse que o bombardeio foi realizado sem consulta ao Congresso e sem autorização para o uso de força militar contra o Irã.  Trump, por sua vez, justificou ação afirmando que "Soleimani matou ou feriu gravemente milhares de americanos por um longo período de tempo". 

Em um comunicado contundente, Pelosi reforçou que o assassinato do principal comandante da Força Quds, unidade de elite da Guarda Revolucionária do Irã, representa "uma escalada perigosa da violência".

"A maior prioridade dos líderes americanos é proteger vidas e interesses americanos. Mas não podemos colocar mais em risco a vida de militares, diplomatas e outros americanos, participando de ações provocativas e desproporcionais. Os riscos do ataque aéreo de hoje à noite [quinta-feira] provocam uma escalada perigosa de violência. Os Estados Unidos — e o mundo —  não podem se dar ao luxo de aumentar as tensões até um ponto sem volta", afirmou.

Trump, que enfrenta acusações de impeachment no Congresso dos EUA, não fez nenhum comentário de imediato, mas publicou, logo após a ação, uma imagem da bandeira americana no Twitter. Nesta sexta-feira, ele justificou a ação dizendo que Soleimani " planejava matar muitos mais".

"Ele foi direta e indiretamente responsável pela morte de milhões de pessoas, incluindo grande número de manifestantes no próprio Irã. Embora o Irã nunca seja capaz de admitir, Soleimani era odiado e temido no país. Eles não estão tão tristes quanto os líderes permitirão que o mundo exterior acredite".

Nesta sexta-feira, o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, prometeu uma "vingança severa" e decretou três dias de luto nacional pela morte de Soleimani, de 62 anos, que dirigia a Força Quds desde os anos 1990 e era responsável pela coordenação das forças aliadas do Irã em países como Síria e Iraque.

Em entrevista à Fox News, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, elogiou a ação e reiterou que os Estados Unidos mantêm o comprometimento com a redução de tensões com o Irã, "mas estão preparados para se defender".

Internamente, no entanto, a ação dividiu os líderes do Congresso americano e reacendeu um debate sobre a Casa deve reduzir os poderes de guerra do presidente. Enquanto grande parte dos republicanos aplaudiu o ataque, democratas expressaram temor por suas consequências.

— É o cenário em particular que pode muito bem levar ao tipo de violência e caos que estamos tentando desesperadamente nos manter fora — disse o democrata Andy Kim, ex-diretor do Iraque no Conselho de Segurança Nacional do presidente Barack Obama — As próximas horas e dias serão muito importantes.

Tom Udall, do Novo México, acusou Trump de levar a nação "à beira de uma guerra ilegal com o Irã".

"Essa escalada imprudente das hostilidades é provavelmente uma violação da autoridade de guerra do Congresso — bem como do nosso acordo com o Iraque — e coloca em risco as forças e os cidadãos dos EUA", disse Udall em comunicado. "Muito possivelmente estará nos afundando em outra guerra desastrosa no Oriente Médio que o povo americano não está pedindo e não apoia".

Entre a maioria dos republicanos, no entanto, a ação foi celebrada:

— Sua morte representa uma oportunidade para o Iraque determinar seu próprio futuro livre do controle iraniano — disse o senador Jim Risch, de Idaho, presidente do Comitê de Relações Exteriores. 

Marco Rubio, republicano da Flórida, rejeitou, em uma séria de tuites, a acusação de que Trump não tinha autoridade para ordenar o bombardeio: "Às vezes, a melhor maneira de evitar um conflito mais amplo é uma ação limitada, mas decisiva, que deixa um claro cálculo de custo-benefício para um adversário."

"Soleimani era um combatente inimigo ativo, mais perigoso do que homens maus, como Bin Laden e Baghdadi e que agiam sem levar em conta a lei da guerra".

O ataque aconteceu três dias depois que manifestantes pró-Irã e integrantes das FMP tentaram invadir a Embaixada dos Estados em Teerã, em um protesto contra bombardeios americanos que no domingo mataram 25 integrantes de uma de suas milícias, a Kataib Hezbollah. Os bombardeios, segundo Washington, ocorreram em represália a um ataque do grupo que matou um funcionário terceirizado em uma base dos EUA na cidade iraquiana de Tikrit.

Nesta sexta-feira, a representação diplomática recomendou a seus cidadãos que deixem o Iraque "imediatamente", "de avião enquanto é possível". As principais passagens de fronteira do Iraque levam ao Irã e a uma Síria ainda em guerra, mas também há outras áreas de fronteira com Arábia Saudita e Turquia.

As tensões entre Washington e Teerã aumentaram no último ano, depois que o governo Trump se retirou unilateralmente em 2018 do acordo nuclear assinado entre o Irã e as principais potências globais em 2015.

 

Law Offices of Witer DeSiqueira

Fonte: oglobo.oglobo.com

 

OBS.: O propósito deste artigo é informar as pessoas sobre imigração americana, jamais deverá ser considerado uma consultoria jurídica, cada caso tem suas nuances e maneiras diferentes de resolução. Esta matéria poderá ser considerada um anúncio pelas regras de conduta profissional do Estado da Califórnia e Nova York. Portanto, ao leitor é livre a decisão de consultar com um advogado local de imigração.


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