Autor: Dr. Witer DeSiqueira – Advogado especialista em Imigração

Muitos empresários e executivos brasileiros acreditam que, após a aprovação da petição pela United States Citizenship and Immigration Services, o visto será automaticamente concedido no consulado.
No entanto, o oficial consular do United States Department of State tem autoridade independente para decidir se o visto será emitido.
Por isso, mesmo casos aprovados podem ser negados.
A seguir estão os erros mais comuns observados em entrevistas para o visto L-1.
- Não saber explicar a própria função
O erro mais comum ocorre quando o candidato descreve tarefas operacionais, em vez de funções gerenciais.
Exemplo problemático:
“Eu ajudo com atendimento ao cliente e suporte técnico.”
Para o visto L-1A Visa, o oficial espera ouvir sobre:
- supervisão de equipes
- planejamento estratégico
- tomada de decisões
- Não saber quantos funcionários supervisiona
Gestores devem supervisionar pessoas ou departamentos.
Se o candidato diz que trabalha sozinho, o oficial pode concluir que o cargo não é gerencial.
- Não entender a estrutura da empresa
O candidato deve saber se a empresa americana é:
- matriz
- subsidiária
- afiliada
- Não saber o que a empresa faz
Alguns candidatos não conseguem explicar claramente o produto ou serviço da empresa.
Isso levanta dúvidas sobre a legitimidade do negócio.
- Contradições com a petição
Se a entrevista contradiz a petição aprovada pela United States Citizenship and Immigration Services, o caso pode entrar em processamento administrativo.
- Demonstrar desconhecimento do escritório nos EUA
O oficial pode perguntar:
- onde fica o escritório
- quantos funcionários existem
- quais são os planos de expansão
- Descrever tarefas técnicas
Especialmente problemático em casos gerenciais.
- Dar respostas longas demais
Entrevistas consulares geralmente duram menos de cinco minutos.
- Não conhecer os clientes da empresa
Executivos devem entender o mercado da empresa.
- Falta de preparação
Muitos candidatos vão à entrevista sem treinamento prévio.
Uma simples simulação de entrevista pode evitar esse problema.
A Importância Estratégica da Assessoria Jurídica no Visto L-1A
O visto L-1A (transferência de executivos e gerentes) é uma das ferramentas mais poderosas para a internacionalização de negócios nos Estados Unidos. No entanto, é também uma das categorias de visto mais complexas e rigorosamente escrutinadas pelo Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS).
Tentar navegar por esse processo sem representação jurídica especializada coloca em risco não apenas a aprovação do visto, mas todo o projeto de expansão internacional da empresa. A presença de um advogado é fundamental pelos seguintes motivos:
- Alinhamento entre Business e Imigração: O sucesso do L-1A exige que o Plano de Negócios (Business Plan) converse perfeitamente com a petição legal. O advogado atua como a ponte que traduz as estratégias corporativas e financeiras da empresa para a linguagem jurídica exigida pelo governo americano.
- Comprovação Rigorosa da Função: O USCIS tem critérios extremamente estritos sobre o que constitui um cargo “executivo” ou “gerencial”. O advogado estrutura o organograma, as descrições de cargo e as evidências de subordinação para provar inequivocamente que o beneficiário atende a esses requisitos, evitando negativas baseadas em interpretações de “gerência de primeira linha” (first-line supervisor).
- Prevenção de RFEs (Requests for Evidence): Petições de L-1A mal instruídas frequentemente resultam em longos e custosos Pedidos de Evidência. A expertise jurídica antecipa as dúvidas do oficial de imigração, construindo um dossiê robusto desde o primeiro momento para maximizar as chances de aprovação direta.
- Demonstração do Vínculo Corporativo (Qualifying Relationship): É preciso provar documentalmente a relação societária (matriz, filial, subsidiária ou afiliada) entre a empresa estrangeira e a americana, o que exige profundo conhecimento em direito empresarial e imigratório.
- Estratégia de Longo Prazo (Caminho para o Green Card): O L-1A é um visto de não-imigrante (dual intent), mas frequentemente serve como degrau para a residência permanente através da categoria EB-1C. Um advogado planeja o L-1A desde o primeiro dia já pavimentando o caminho seguro para o futuro Green Card do executivo e de sua família.
Em suma, em um processo de L-1A, o advogado não é um mero preenchedor de formulários, mas o estrategista que protege o capital da empresa, o tempo do executivo e o futuro do negócio nos Estados Unidos.





