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WITER DESIQUEIRA & PESSONI

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Brasil ou Estados Unidos em 2027? Segurança jurídica, carga tributária e oportunidades nos EUA diante do endurecimento migratório de Trump

Por Witer DeSiqueira e Mara Pessoni
Witer DeSiqueira & Pessoni – An International Law Corporation
Publicado em: 7 de agosto de 2026, às 12h10 — horário de Brasília
Última atualização: 7 de agosto de 2026, às 12h10 — horário de Brasília
Tempo estimado de leitura: 9 minutos
Categoria: Brasil e Estados Unidos | Imigração | Segurança jurídica | Economia
Palavras-chave: morar nos Estados Unidos, sair do Brasil, insegurança jurídica no Brasil, carga tributária brasileira, governo Trump, imigração legal, corrupção no Brasil, déficit público, planejamento migratório

Resumo executivo

O Brasil continua sendo um país de grandes oportunidades, recursos e capacidade empresarial. Entretanto, o aumento da carga tributária, a trajetória da dívida pública, a complexidade regulatória, a percepção de corrupção e as frequentes mudanças de interpretação jurídica alimentam a insegurança de famílias, profissionais e empresários. Os Estados Unidos também enfrentam problemas fiscais, políticos e institucionais e, sob Donald Trump, adotaram uma política migratória muito mais ostensiva. Ainda assim, para quem possui planejamento, qualificação e uma estratégia migratória legal, o país continua oferecendo um ambiente institucional comparativamente mais previsível e um mercado amplo para trabalhar, investir e empreender.

A decisão de permanecer no Brasil ou viver nos Estados Unidos

A comparação entre viver no Brasil e viver nos Estados Unidos não deve ser transformada em uma disputa simplista entre um país perfeito e outro sem futuro.

Nenhum dos dois países está livre de problemas.

Os Estados Unidos enfrentam polarização política, custo elevado de saúde, moradia cara em grandes centros, tensões sociais, déficit público expressivo e uma política migratória muito mais rigorosa sob a atual administração de Donald Trump, que exerce seu segundo mandato presidencial.

O Brasil, por sua vez, mantém vantagens importantes: proximidade familiar, diversidade cultural, recursos naturais, capacidade produtiva, um grande mercado consumidor e inúmeras oportunidades para pessoas que conhecem bem o ambiente local. A pergunta mais adequada, portanto, não é qual país não possui problemas.

A pergunta é: em qual ambiente uma determinada família, profissional ou empresário encontra maior previsibilidade, proteção patrimonial, possibilidade de crescimento e segurança para planejar o futuro?

É nesse ponto que as diferenças institucionais passam a ter grande importância.

O Brasil está caminhando para o socialismo?

A afirmação de que o Brasil “está caminhando para o socialismo” representa uma interpretação política, e não uma conclusão técnica que possa ser comprovada por um único indicador econômico ou jurídico. O Brasil continua sendo uma economia de mercado, com propriedade privada, empresas particulares, sistema financeiro privado e liberdade formal para empreender.

Entretanto, parte relevante da população percebe um crescimento do intervencionismo estatal, da dependência de programas governamentais, do aumento da tributação e da interferência política sobre decisões econômicas e regulatórias. É essa combinação que gera o temor de uma mudança gradual no modelo econômico.

O problema não está apenas na terminologia utilizada para definir o governo. Para o cidadão e para o empresário, o que realmente importa é o efeito concreto das políticas públicas:

  • aumento ou criação de tributos;
  • alterações frequentes nas regras;
  • expansão do gasto público;
  • insegurança sobre investimentos;
  • imprevisibilidade regulatória;
  • dificuldade de proteger e planejar o patrimônio;
  • receio de que decisões econômicas sejam orientadas por interesses políticos de curto prazo.

Assim, o debate mais produtivo não é determinar se o Brasil já é, ou se algum dia será, um país socialista. O debate deve avaliar se o Estado está aumentando sua participação na economia sem oferecer, na mesma proporção, serviços públicos, previsibilidade e segurança jurídica.

Segurança jurídica: uma diferença institucional relevante

A segurança jurídica não significa que todas as decisões judiciais serão favoráveis ou que as leis nunca serão modificadas. Ela significa que cidadãos e empresas conseguem prever, dentro de limites razoáveis, como as normas serão interpretadas e aplicadas.

No Rule of Law Index 2025, elaborado pelo World Justice Project, o Brasil ficou na 78ª posição entre 143 países, com pontuação geral de 0,50. Os Estados Unidos ficaram na 27ª posição. O próprio relatório registra deterioração em alguns indicadores americanos, demonstrando que as instituições dos Estados Unidos também enfrentam desafios. Ainda assim, a diferença entre as colocações permanece significativa.

No Brasil, a insegurança jurídica é sentida especialmente por empresários e investidores diante de alterações legislativas, decisões judiciais divergentes, regulamentações complexas e mudanças de entendimento dos órgãos públicos.

Essa realidade não significa que os Estados Unidos possuam um sistema simples. As leis americanas também são complexas, existem diferenças relevantes entre os estados e os custos de litígio podem ser elevados. Entretanto, contratos, responsabilidades empresariais, regras societárias e obrigações tributárias tendem a ser tratados dentro de estruturas institucionais mais consolidadas.

“O capital não procura apenas países onde possa obter lucro. Ele procura lugares onde seja possível calcular riscos, conhecer as regras e planejar o futuro com um nível razoável de previsibilidade.”

— Witer DeSiqueira e Mara Pessoni

Carga tributária: o Brasil arrecada como país desenvolvido?

A discussão sobre tributação no Brasil não se limita ao valor dos impostos. Ela envolve a complexidade do sistema, o número de obrigações acessórias, a tributação sobre o consumo, a dificuldade de interpretação das normas e a percepção de que o retorno dos serviços públicos não corresponde ao que é arrecadado.

Segundo estudo comparável da OCDE, a arrecadação tributária brasileira atingiu 33,7% do Produto Interno Bruto em 2024, o maior percentual entre os países da América Latina e do Caribe analisados naquele levantamento.

Nos Estados Unidos, a relação entre arrecadação tributária e PIB foi de 25,6% em 2024, colocando o país entre as menores cargas tributárias proporcionais da OCDE.

Essa comparação, contudo, precisa ser interpretada com responsabilidade. Nos Estados Unidos, famílias podem assumir diretamente despesas elevadas com seguro-saúde, universidades, creches, moradia e outros serviços. Além disso, a tributação varia consideravelmente conforme o estado, o município, a renda, o patrimônio e o tipo de atividade econômica.

Estados como Flórida e Texas, por exemplo, não cobram imposto estadual individual sobre a renda, enquanto Califórnia e Nova York possuem tributação estadual mais significativa. Portanto, uma carga tributária nacional inferior não significa que toda família necessariamente terá um custo de vida menor.

A diferença central está na capacidade de planejamento. Nos Estados Unidos, o contribuinte pode avaliar diferentes estados, estruturas empresariais, regimes locais e formas de organização patrimonial. No Brasil, além da carga elevada, o contribuinte frequentemente enfrenta dúvidas sobre a interpretação das regras e sobre os efeitos de alterações legislativas e regulamentares.

A situação fiscal do Brasil exige atenção

Os números fiscais brasileiros ajudam a explicar a preocupação de investidores e famílias.

O Banco Central informou que, nos 12 meses encerrados em maio de 2026, o setor público consolidado acumulou déficit primário de aproximadamente R$ 149 bilhões, equivalente a 1,14% do PIB. No mês de maio, o déficit primário foi de R$ 56,1 bilhões.

A Dívida Bruta do Governo Geral alcançou aproximadamente 81,1% do PIB em maio de 2026, segundo as estatísticas fiscais do Banco Central. Projeções divulgadas no Relatório de Política Monetária indicavam continuidade da trajetória ascendente da dívida nos anos seguintes.

O aumento do endividamento não produz automaticamente uma crise. No entanto, quando a dívida cresce continuamente, o governo passa a depender de maior arrecadação, cortes de despesas, crescimento econômico ou novas emissões de títulos.

Para o cidadão, isso pode significar:

  • pressão por novos tributos;
  • juros elevados;
  • menor disponibilidade de crédito;
  • desvalorização da moeda;
  • redução da capacidade de investimento público;
  • incerteza sobre aposentadorias e benefícios futuros.

O principal risco não está apenas no tamanho atual da dívida, mas na ausência de confiança sobre sua estabilização.

Os Estados Unidos também possuem um déficit público elevado

Seria incorreto apresentar os Estados Unidos como exemplo de perfeita disciplina fiscal.

O Congressional Budget Office projetou para o ano fiscal de 2026 um déficit federal de aproximadamente US$ 1,9 trilhão, correspondente a 5,8% do PIB. A dívida federal mantida pelo público foi projetada em aproximadamente 101% do PIB.

Nos primeiros nove meses do ano fiscal de 2026, o déficit federal americano já alcançava aproximadamente US$ 1,4 trilhão.  Portanto, quando o assunto é desequilíbrio fiscal, os Estados Unidos também enfrentam um problema sério.

A diferença está na estrutura econômica que sustenta a dívida americana: dimensão do mercado, profundidade do sistema financeiro, capacidade de inovação, produtividade e centralidade internacional do dólar.

Isso não elimina os riscos americanos, mas concede ao país instrumentos de financiamento que não estão disponíveis nas mesmas condições para o Brasil.

A conclusão responsável não é que os Estados Unidos não possuem problemas fiscais. É que, apesar deles, o país continua oferecendo maior capacidade institucional e econômica para absorver choques.

Corrupção e confiança nas instituições

A corrupção não pode ser analisada apenas pelo número de operações policiais ou de escândalos divulgados pela imprensa. Um país que investiga mais pode aparentar possuir mais corrupção simplesmente porque seus mecanismos de fiscalização funcionam. Por outro lado, a ausência de investigações não significa necessariamente integridade.

Mesmo com essa ressalva, os índices internacionais mostram uma diferença relevante entre os dois países.

No Índice de Percepção da Corrupção de 2025, da Transparência Internacional, o Brasil obteve 35 pontos em uma escala de 0 a 100 e ficou na 107ª posição entre 182 países.

Os Estados Unidos obtiveram 64 pontos e ficaram na 29ª posição. O resultado americano também apresentou piora em relação ao ano anterior, o que demonstra que o país não está imune a conflitos de interesse, influência econômica e enfraquecimento institucional.

A diferença, contudo, permanece expressiva. Para quem pretende investir, empreender ou proteger patrimônio, a confiança de que contratos serão respeitados e agentes públicos serão submetidos a controles institucionais constitui um fator decisivo.

Oportunidade econômica não significa sucesso automático

Os Estados Unidos oferecem um mercado amplo, diversidade regional, possibilidade de crescimento empresarial e remuneração elevada em diversas profissões.

No segundo trimestre de 2026, trabalhadores americanos empregados em tempo integral receberam rendimento semanal mediano de US$ 1.251, segundo o Bureau of Labor Statistics.

Esse valor não deve ser comparado diretamente com rendimentos brasileiros sem considerar câmbio, tributação, moradia, saúde e custo de vida.

O dado serve para demonstrar a dimensão da economia americana, não para garantir que todo imigrante alcançará renda elevada.

O sucesso nos Estados Unidos depende de diversos fatores:

  • autorização legal para trabalhar;
  • domínio do inglês;
  • reconhecimento de diplomas e licenças;
  • localização escolhida;
  • experiência profissional;
  • reserva financeira;
  • capacidade de adaptação;
  • planejamento tributário e migratório.

Mudar de país sem planejamento pode transformar uma oportunidade em um problema financeiro e familiar.

A política migratória ostensiva de Donald Trump

A política migratória do governo Trump é, atualmente, um dos principais fatores de preocupação para brasileiros que pensam em viver nos Estados Unidos. Desde seu retorno à Presidência, a administração ampliou a fiscalização, fortaleceu o ICE, endureceu procedimentos de triagem e passou a enfatizar de forma mais intensa o cumprimento das leis migratórias. O USCIS também anunciou medidas adicionais de verificação de antecedentes, segurança e análise de pedidos de benefícios.

A legislação aprovada em junho de 2026 destinou financiamento ao Departamento de Segurança Interna, ao ICE e à Customs and Border Protection para atividades de fiscalização migratória até o ano fiscal de 2029.  Além disso, a administração adotou mudanças relacionadas a estudantes estrangeiros, asilo, autorizações de trabalho, fiscalização interna e análise de petições.

O novo ambiente exige atenção até mesmo de pessoas que pretendem imigrar legalmente. Processos incompletos, inconsistências em formulários, trabalho sem autorização, violações de status, informações incorretas em redes sociais ou documentos insuficientes podem produzir consequências mais rápidas e graves.

Imigração legal continua existindo

O endurecimento migratório não significa que os Estados Unidos tenham encerrado suas categorias legais de imigração. Continuam existindo caminhos baseados em emprego, capacidade profissional, investimentos, vínculos familiares e outras classificações previstas na legislação. O USCIS mantém cinco categorias de preferência para trabalhadores permanentes, além das opções de residência baseadas em família e investimento.

Categorias como EB-1, EB-2, EB-3 e EB-5 continuam fazendo parte da estrutura migratória americana.  A principal mudança está no nível de rigor. O governo americano procura restringir a imigração irregular, intensificar o controle e exigir que os solicitantes demonstrem claramente sua elegibilidade.

Isso cria um contraste importante:

Os Estados Unidos continuam interessados em profissionais, empresários, investidores e pessoas qualificadas, mas estão menos tolerantes com processos improvisados, permanência irregular, fraude ou descumprimento das condições do visto.

“A política migratória de Trump não elimina a possibilidade de imigração legal, mas torna o planejamento, a documentação e o respeito ao status migratório ainda mais importantes.”

— Witer DeSiqueira e Mara Pessoni

Para quem os Estados Unidos ainda podem fazer sentido?

Viver nos Estados Unidos pode continuar sendo uma escolha estratégica para:

  • profissionais com formação, experiência ou habilidades valorizadas;
  • empresários que desejam acessar um mercado maior;
  • investidores que buscam diversificação patrimonial;
  • famílias que priorizam educação, segurança institucional e planejamento de longo prazo;
  • pessoas dispostas a se adaptar à cultura, ao idioma e às exigências legais;
  • brasileiros que possuem uma categoria migratória compatível com seu perfil.

A decisão não deve ser tomada apenas pela insatisfação política com o Brasil. Imigrar exige um projeto profissional, familiar, financeiro e jurídico. Mudar-se para os Estados Unidos apenas para “fugir” do Brasil, sem compreender os custos e as limitações do novo país, pode resultar em frustração.

Brasil ou Estados Unidos: qual oferece maior previsibilidade?

O Brasil possui potencial econômico, recursos naturais, criatividade empresarial e uma população capaz de superar crises. No entanto, a combinação de elevada tributação, insegurança regulatória, endividamento público crescente e baixa confiança institucional produz legítima preocupação sobre o futuro.

Os Estados Unidos também enfrentam déficit elevado, polarização, inflação de determinados serviços, custos médicos e deterioração em alguns indicadores institucionais. Ainda assim, continuam oferecendo, em termos comparativos:

  • maior previsibilidade contratual;
  • ambiente institucional mais consolidado;
  • mercado consumidor amplo;
  • melhor posição em indicadores de Estado de Direito;
  • menor carga tributária proporcional;
  • maior facilidade de organização empresarial em diversas jurisdições;
  • oportunidades de remuneração e expansão profissional.

O maior obstáculo para o brasileiro é o sistema migratório.

Sob a administração Trump, esse obstáculo se tornou mais rigoroso, ostensivo e menos tolerante a erros. Mas rigor não é sinônimo de impossibilidade. Para quem possui qualificação, documentação, recursos e uma estratégia migratória legal, os Estados Unidos continuam sendo uma alternativa real.

Conclusão

A decisão de viver no Brasil ou nos Estados Unidos não deve ser baseada em propaganda política, idealização ou medo. O Brasil não deixou de oferecer oportunidades, e os Estados Unidos não se transformaram em um país livre de riscos.

Entretanto, os indicadores atuais demonstram diferenças relevantes em segurança jurídica, percepção de corrupção e carga tributária. O endurecimento migratório de Donald Trump exige maior cautela, mas não encerra os caminhos legais para profissionais, empresários, investidores e famílias.

Na realidade atual, a melhor proteção não é simplesmente deixar o Brasil. A melhor proteção é possuir informação, planejamento patrimonial, estratégia profissional e um caminho migratório compatível com a lei.

“Os Estados Unidos não devem ser vistos como uma fuga, mas como um projeto. E todo projeto migratório sério começa antes da mudança, com análise, preparação e respeito absoluto às regras.”
— Witer DeSiqueira e Mara Pessoni

Fontes principais consultadas

  • Banco Central do Brasil — Estatísticas fiscais de 2026.
  • Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico — estatísticas tributárias do Brasil e dos Estados Unidos.
  • World Justice Project — Rule of Law Index 2025.
  • Transparência Internacional — Índice de Percepção da Corrupção 2025.
  • Congressional Budget Office — projeções fiscais americanas para 2026.
  • USCIS, DHS e Casa Branca — políticas migratórias e categorias legais de imigração.

Nota editorial

Este artigo apresenta análise econômica, institucional e migratória de caráter informativo. A expressão “caminhar para o socialismo” é tratada como uma interpretação política, e não como fato técnico comprovado. O conteúdo não constitui recomendação de investimento, planejamento tributário ou aconselhamento jurídico para um caso específico. Cada projeto migratório deve ser analisado individualmente.


OBS.: O propósito deste artigo é informar as pessoas sobre imigração americana, jamais deverá ser considerado uma consultoria jurídica, cada caso tem suas nuances e maneiras diferentes de resolução. Esta matéria poderá ser considerada um anúncio pelas regras de conduta profissional do Estado da Califórnia e Nova York. Portanto, ao leitor é livre a decisão de consultar com um advogado local de imigração

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