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A Tecnologia que já rastreia migrantes em tempo real nos EUA e o alerta sobre privacidade

Os Estados Unidos estão implementando um sistema silencioso que combina biometria, inteligência artificial e monitoramento digital contínuo para acompanhar pessoas em processos migratórios. A nova ferramenta promete agilidade inédita, mas também levanta dúvidas profundas sobre privacidade, legalidade e até onde um governo pode chegar ao rastrear indivíduos no mundo físico e virtual.

O controle migratório nos Estados Unidos está passando por uma transformação histórica. O que antes dependia de entrevistas presenciais, checagens manuais e longos procedimentos administrativos agora se expande para um sistema capaz de identificar, correlacionar e monitorar pessoas em segundos — muitas vezes sem que elas saibam. As novas tecnologias combinam reconhecimento biométrico, análise de comportamento digital e inteligência artificial avançada. O resultado é poderoso… e potencialmente preocupante.

Uma nova era de vigilância: o controle agora cabe no bolso do agente

O Departamento de Segurança Interna aprovou uma modernização completa de seus sistemas de verificação migratória. No centro da mudança está a plataforma Mobile Biometrics, que transforma celulares e tablets reforçados em dispositivos de identificação instantânea.

Com eles, agentes podem coletar rostos, impressões digitais e até íris em qualquer abordagem na rua ou em operações de rotina. O sistema envia os dados diretamente para bancos federais e retorna informações completas – identidade, histórico e alertas em tempo real, no próprio local da abordagem.

Um ponto crítico gerou alarme entre especialistas: os dados podem ser armazenados por até 75 anos, sem necessidade de consentimento explícito da pessoa analisada.

A fronteira que não se vê: a IA monitorando rastros digitais

Além da biometria presencial, outra camada ainda mais invisível se integra ao sistema: plataformas de análise massiva de informações públicas na internet.

Contratos federais revelam que o governo utiliza ferramentas capazes de rastrear milhões de posts por dia em redes sociais e fóruns. A IA identifica mudanças bruscas de comportamento, padrões suspeitos ou interações específicas que possam gerar alertas migratórios automáticos.

O monitoramento ocorre 24 horas por dia, funcionando como um radar digital que cruza perfis públicos, dados governamentais e atividade online – muitas vezes sem que haja qualquer contato físico com o indivíduo.

O debate inevitável: quem controla a privacidade?

Organizações de direitos civis nos EUA alertam que o uso de IA nesse nível pode ultrapassar limites éticos e legais. As preocupações incluem:

  • Falta de transparência sobre quais dados são coletados;
  • Ausência de consentimento;
  • Retenção prolongada das informações;
  • Risco de erros automatizados afetarem decisões migratórias.

Já o governo argumenta que as tecnologias servem para agilizar verificações, reduzir fraudes e reforçar a segurança nacional.

Um futuro que redefine o processo migratório

A nova arquitetura de vigilância transforma completamente a experiência de quem passa por processos migratórios: identificação rápida nas ruas, monitoramento contínuo da atividade digital e cruzamento automático de dados federais.

O cenário aponta para um sistema mais rápido, mais abrangente e muito mais difícil de evitar, no qual fronteiras físicas e digitais se misturam.

Especialistas acreditam que esse ecossistema continuará a crescer. A dúvida agora não é se ele vai se expandir, mas até onde ele irá, e quem vai definir seus limites.

Fonte: https://www.gizmodo.com.br/a-tecnologia-que-ja-rastreia-migrantes-em-tempo-real-nos-eua-e-o-alerta-sobre-privacidade-34111

OBS.: O propósito deste artigo é informar as pessoas sobre imigração americana, jamais deverá ser considerado uma consultoria jurídica, cada caso tem suas nuances e maneiras diferentes de resolução. Esta matéria poderá ser considerada um anúncio pelas regras de conduta profissional do Estado da Califórnia e Nova York. Portanto, ao leitor é livre a decisão de consultar com um advogado local de imigração

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