Witer DeSiqueira & Pessoni An International Law Corporation ®

+55 (62) 98560-6130 – [email protected]

Meu Visto Americano foi Negado por “Falta de Vínculos”: Como Reverter essa Situação?

Autor: Dr. Witer DeSiqueira – Advogado especialista em Imigração

Receber a negativa de um visto americano sob a Seção 214(b) do Immigration and Nationality Act (INA) é uma das experiências mais frustrantes para quem planeja viajar aos Estados Unidos. A justificativa padrão — “falta de vínculos com o país de origem” — soa vaga, mas carrega um peso jurídico decisivo: o oficial consular não foi convencido de que você pretende retornar ao Brasil após a viagem.

Mas a pergunta que fica é: essa decisão é permanente? A resposta é não. Veja como analisar sua negativa e preparar uma nova solicitação com chances reais de êxito.

1. Entenda a “Presunção de Imigrante”

De acordo com a lei dos EUA, todo solicitante de visto de não-imigrante (como o B1/B2) é visto, inicialmente, como alguém que deseja imigrar ilegalmente. O ônus da prova é seu. Você precisa provar que sua vida no Brasil é estável e “atrativa” o suficiente para que você não queira abandoná-la.

2. Identifique os pontos fracos da última tentativa

Antes de preencher um novo DS-160, é preciso fazer uma “autópsia” do processo anterior:

  • Vínculos Financeiros: Sua renda declarada condiz com seu cargo? Você possui bens ou investimentos que demonstrem estabilidade?
  • Vínculos Profissionais: Você está há pouco tempo no emprego atual? É autônomo sem comprovação formal de renda (DECORE ou IR)?
  • Vínculos Familiares: Sua família imediata (cônjuge e filhos) ficará no Brasil enquanto você viaja?
  • Histórico de Viagens: Você já viajou para outros países que exigem visto ou sua primeira viagem internacional seria para os EUA?

3. O que mudou? (O fator determinante)

O Consulado raramente aprova um visto em uma segunda tentativa se as circunstâncias do solicitante forem exatamente as mesmas da primeira negativa. Para mudar o cenário, você deve apresentar mudanças significativas.

4. Estratégias para fortalecer sua nova solicitação

A. Refinamento do Formulário DS-160

O DS-160 é o documento mais importante. Erros comuns incluem descrições de cargo genéricas ou omissão de fontes de renda secundárias. Seja específico. Se você é um profissional liberal, detalhe sua especialidade e tempo de atuação.

B. Documentação Probatória Robusta

Embora nem sempre o oficial peça para ver os documentos, você deve estar preparado. Leve evidências que não deixem margem para dúvidas:

  • Imposto de Renda: A declaração completa e bem estruturada é o melhor comprovante de estabilidade.
  • Vínculos de Propriedade: Escrituras de imóveis ou contratos de aluguel em seu nome.
  • Vínculos Acadêmicos: Se for estudante, comprovantes de matrícula em cursos de longa duração.

C. Preparação para a Entrevista

Muitas negativas ocorrem por nervosismo ou respostas contraditórias. O foco deve ser a objetividade. Se o oficial perguntar “Por que você quer ir aos EUA?”, evite respostas genéricas como “Porque é um país bonito”. Prefira: “Vou visitar o Grand Canyon por 10 dias durante minhas férias anuais da empresa X, onde trabalho há 5 anos”.

É o fim da linha?

Uma negativa não é um banimento. É um sinal de que sua estratégia de apresentação de vínculos falhou em algum ponto. O segredo para a aprovação na segunda tentativa reside na análise técnica do que foi apresentado anteriormente e na construção de um perfil que demonstre que os Estados Unidos são o seu destino de lazer ou negócios, mas o Brasil é, e continuará sendo, o seu porto seguro.

Cada caso é único e as políticas consulares podem variar. Consultar um advogado especializado em imigração pode ser o diferencial entre um novo carimbo de “negado” e a aprovação do seu visto.

OBS.: O propósito deste artigo é informar as pessoas sobre imigração americana, jamais deverá ser considerado uma consultoria jurídica, cada caso tem suas nuances e maneiras diferentes de resolução. Esta matéria poderá ser considerada um anúncio pelas regras de conduta profissional do Estado da Califórnia e Nova York. Portanto, ao leitor é livre a decisão de consultar com um advogado local de imigração

Gostou do conteúdo? Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *