Autora: Dra. Mara Pessoni – Advogada especialista em Imigração

Não existe uma resposta perfeita, mas existem muitas respostas ruins.
Os agentes consulares fazem 3 ou 4 perguntas muito rápidas. Com base na sua resposta à primeira pergunta, as demais perguntas e contra perguntas mudam. Portanto, em vez de inventar uma história absurda, sua resposta deve ser honesta, em voz alta e clara. Tudo o que eles querem saber é se você tem estabilidade financeira, se possui um ótimo emprego/negócio, se pode arcar com a viagem aos EUA e se voltará devido aos seus laços familiares, ou se está financeiramente confortável e não pretende ir para nunca mais voltar. Tudo isso precisa ser explicado em 3 ou 4 minutos, no máximo 5 minutos, em 3 ou 4 perguntas e respostas.
A chave para o sucesso em uma entrevista consular, seja para vistos de não-imigrante (onde vigora a presunção de intenção imigratória da Seção 214(b)) ou para processos consulares de vistos de trabalho e imigração, reside na consistência com os formulários (como o DS-160 ou DS-260) e na objetividade.
Aqui estão as características e exemplos do que constitui boas e más respostas na entrevista:
Respostas Ruins (Sinais de Alerta para o Oficial)
Respostas ruins geralmente são prolixas, vagas ou demonstram inconsistência com a documentação apresentada. O objetivo do oficial não é conversar, mas sim cruzar dados rapidamente.
- Falar mais do que o perguntado: * Pergunta: “Qual o propósito da sua viagem?”
- Resposta Ruim: “Eu vou para a Disney, mas estou pensando em talvez aproveitar para dar uma olhada em algumas escolas de inglês para o futuro, e quem sabe visitar um amigo que mora em Boston.” (Isso abre margem para o oficial suspeitar de intenção de estudo sem o visto adequado ou trabalho ilegal).
- Inconsistência com o formulário:
- Pergunta: “Onde você trabalha?”
- Resposta Ruim: “No momento estou fazendo uns trabalhos como autônomo.” (Se o DS-160 listar um emprego formal em uma empresa específica, essa resposta gera desconfiança imediata).
- Respostas vagas sobre finanças:
- Pergunta: “Quem vai custear sua viagem?”
- Resposta Ruim: “Tenho umas economias guardadas e meu primo que mora lá vai me ajudar um pouco.” (Falta de clareza financeira e citação de parentes nos EUA frequentemente ativam o alerta de risco de imigração).
- Demonstrar desespero ou tentar convencer o oficial: Tentar entregar pastas de documentos antes que sejam solicitados ou dar justificativas longas e emocionadas transmite insegurança.
Respostas Boas (Claras, Diretas e Consistentes)
Boas respostas são concisas, educadas e respondem estritamente ao que foi perguntado, embasadas na realidade do solicitante e na petição aprovada ou no formulário preenchido.
- Objetividade no propósito:
- Pergunta: “Qual o propósito da sua viagem?”
- Resposta Boa: “Turismo em Orlando por 10 dias com minha família.” (Curto, claro e encerra a necessidade de perguntas adicionais sobre o tema).
- Clareza profissional (Especialmente para L-1, O-1 ou B1):
- Pergunta: “O que você faz no Brasil?”
- Resposta Boa: “Sou diretor de operações na empresa X há 5 anos, responsável por uma equipe de 20 pessoas.” (Demonstra vínculos fortes e clareza sobre o papel profissional).
- Segurança financeira:
- Pergunta: “Quem vai custear sua viagem?”
- Resposta Boa: “Eu mesmo pagarei a viagem com minha renda do meu trabalho atual.”
- Responder “Não sei” quando aplicável: Se o requerente realmente não souber uma informação periférica, é melhor admitir de forma natural do que inventar uma resposta na hora e cair em contradição.
A “Regra de Ouro” para Preparação
O ideal é treinar para que as respostas tenham no máximo duas ou três frases. O oficial consular tem, em média, de 2 a 4 minutos para tomar uma decisão. Quanto mais o requerente fala de forma não estruturada, mais “munição” ele dá para uma negativa. Os documentos de suporte devem ficar no colo ou na pasta, sendo entregues apenas se o oficial pedir explicitamente (“posso ver seu imposto de renda?”).
Portanto, sem histórias emocionantes, sem envolvimento emocional, sem bobagens como o casamento do meu primo, o casamento do meu amigo, minha irmã está grávida, meu irmão está se formando ou meu primo está doente e precisa de apoio, ir a uma exposição em Las Vegas ou a um seminário, reuniões de negócios. Adoro viajar, mas nunca viajei na vida e minha primeira viagem será direto para os EUA.
Até agora, minha experiência ajudando centenas de pessoas tem sido a seguinte: quando perguntam qual o propósito da viagem aos EUA, a resposta é simples: férias, férias em família, meu trabalho, minha empresa, meu cargo e salário, e a viagem por 15 dias. Isso se confirma se o perfil do candidato for compatível, com um bom emprego estável, boa situação financeira familiar, histórico de viagens e estabilidade. As respostas devem ser claras, concisas e demonstrar confiança na linguagem corporal.





