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WITER DESIQUEIRA & PESSONI

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O Silêncio do Processo Administrativo: por que alguns vistos dos EUA ficam anos sem resposta

Autor: Dr. Witer DeSiqueira – Advogado especialista em Imigração

Poucas coisas são tão angustiantes no processo de imigração para os Estados Unidos quanto o silêncio. Você aplica para um visto, tudo parece caminhar bem… e, de repente, o caso entra em “Administrative Processing” (processamento administrativo). Meses passam. Depois anos. E nenhuma resposta.

A pergunta surge naturalmente: como é possível um consulado americano não dar retorno por mais de oito anos, mesmo após várias tentativas de contato?

A verdade é dura, mas importante: na maioria das vezes, não é descaso — é o próprio sistema funcionando como foi desenhado.

O que realmente significa o 221(g)

Quando um visto entra em processamento administrativo sob a seção 221(g), muitas pessoas pensam que foram negadas. Mas não é bem assim.

Na prática, em muitos casos, o visto estava aprovado, mas algo no perfil do solicitante gerou um alerta em sistemas de segurança dos EUA.

Isso não quer dizer que a pessoa fez algo errado.

Significa apenas que, por algum motivo — nome comum, país de origem, histórico de viagens ou até coincidências — o sistema marcou aquele caso como “precisa verificar melhor”.

E a partir daí, o processo sai das mãos do consulado.

Por que o consulado “some” e não responde

Aqui está o ponto que mais gera frustração.

Quando o caso entra nesse tipo de análise de segurança:

  • O consulado perde o controle sobre o processo
  • Outra agência do governo americano assume a análise
  • O próprio consulado não recebe atualizações

Ou seja: eles sabem tanto quanto você — praticamente nada.

Por isso, muitas vezes, os e-mails e pedidos de informação ficam sem resposta. Não é má vontade. É porque simplesmente não há o que dizer.

Por que isso pode levar tantos anos

Oito anos parece absurdo — e é mesmo. Mas não é algo inédito.

Existem casos que ficaram em processamento administrativo por mais de 20 anos.

Isso acontece porque:

  • Não existe prazo legal para decisão
  • As análises de segurança podem ser extremamente complexas
  • Esses casos nem sempre são prioridade
  • Há acúmulo (backlog) entre diferentes agências

É um sistema que prioriza segurança acima de velocidade.

“Vou aplicar de novo” — isso resolve?

Infelizmente, não.

Se você cancelar a aplicação e fizer outra:

  • O sistema vai identificar o mesmo histórico
  • O alerta será gerado novamente
  • O processo volta para análise… do zero

Ou seja, você volta para o fim da fila.

Um detalhe importante: quem realmente tomou a decisão?

Muita gente não percebe, mas nem tudo é responsabilidade do consulado.

Por exemplo:

  • Se o problema aconteceu na emissão do visto, é Departamento de Estado
  • Mas se aconteceu no aeroporto, no embarque ou no portão, provavelmente foi o Departamento de Segurança Interna (DHS/CBP)

Isso muda completamente para quem você deveria direcionar suas perguntas.

Muitas pessoas passam anos cobrando o órgão errado.

E quando envolve família?

Outro ponto que gera confusão:

Normalmente, problemas de visto são individuais.

Se apenas uma pessoa tem um impedimento, isso não deveria afetar automaticamente toda a família.

Então, quando uma família inteira é impactada, isso pode indicar uma situação mais específica — e mais delicada.

A parte mais difícil: não há muito o que fazer

Essa é a realidade mais frustrante de todas.

Quando o caso está nesse tipo de processamento:

  • Não há como acelerar
  • Não há como “dar um jeitinho”
  • Não adianta insistir com o consulado

Tudo depende da agência que está analisando o caso — e ela não tem prazo para decidir.

Ficar anos sem resposta em um processo de visto não significa que você fez algo errado — e nem que o consulado está ignorando você.

Significa que você caiu em um dos pontos mais rígidos do sistema imigratório americano: a verificação de segurança.

E, nesse cenário, o silêncio não é falta de interesse.
É simplesmente um reflexo de um sistema que não foi feito para ser rápido — foi feito para ser cauteloso.

OBS.: O propósito deste artigo é informar as pessoas sobre imigração americana, jamais deverá ser considerado uma consultoria jurídica, cada caso tem suas nuances e maneiras diferentes de resolução. Esta matéria poderá ser considerada um anúncio pelas regras de conduta profissional do Estado da Califórnia e Nova York. Portanto, ao leitor é livre a decisão de consultar com um advogado local de imigração

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