Autora: Dra. Mara Pessoni – Advogada especialista em Imigração

Quando um solicitante retorna ao consulado após uma negativa (geralmente sob a seção 214(b) da INA), o oficial consular já tem o formulário DS-160 anterior e as anotações da recusa na tela. O foco da nova entrevista não é reavaliar a decisão passada, mas sim identificar se as circunstâncias fáticas do solicitante mudaram o suficiente para superar a presunção legal de intenção de imigrar.
Na preparação para essa etapa, o foco deve estar na objetividade e na demonstração clara de laços fortes com o Brasil. Abaixo estão as perguntas mais prováveis, divididas por categoria, e a lógica por trás delas:
1. A “Pergunta de Ouro” (Fator de Mudança)
Esta é, sem dúvida, a pergunta mais importante da entrevista. O oficial precisa de uma justificativa legal para emitir um visto que outro colega (ou ele mesmo) negou anteriormente.
- “O que mudou na sua vida desde a sua última solicitação?”
- “Por que você acha que se qualifica para o visto agora, já que foi negado recentemente?”
- A lógica: O foco da resposta deve ser as mudanças concretas: um novo emprego, uma promoção, a conclusão de um curso superior, casamento, aquisição de bens ou o fato de ter realizado viagens internacionais para outros países nesse ínterim.
2. Vínculos Profissionais e Financeiros
O oficial buscará confirmar se a estabilidade econômica no Brasil é suficiente para garantir o retorno.
- “Qual é a sua profissão atual e há quanto tempo você trabalha nessa empresa?”
- “Qual é a sua renda mensal?”
- “Você estuda atualmente? Qual o curso e quando termina?”
- “Quem vai pagar por esta viagem?” (Se a resposta for um terceiro, o oficial fará perguntas sobre a renda e os vínculos desse patrocinador).
- A lógica: Mudanças de emprego muito recentes ou rendas que não condizem com o custo de uma viagem de turismo aos EUA acendem um alerta. A estabilidade no emprego atual é um dos laços mais fortes.
3. Propósito e Logística da Viagem Atual
O plano de viagem precisa ser coerente e compatível com a vida financeira e profissional do solicitante.
- “Qual é o motivo da sua viagem aos EUA?”
- “Para onde você vai e quanto tempo pretende ficar?”
- “Por que você escolheu este destino específico?”
- “Com quem você vai viajar?” (Se for viajar com alguém que já tem visto, o oficial pode pedir para ver o visto do acompanhante).
- A lógica: Roteiros muito vagos, longos períodos de estadia (ex: “vou passar 3 meses em Orlando”) para quem tem um emprego CLT padrão, ou roteiros incompatíveis com o perfil do solicitante geram desconfiança imediata.
4. Histórico de Viagens
Um passaporte com carimbos de outros países é uma excelente prova de que o solicitante viaja a turismo e retorna ao seu país de origem.
- “Você viajou para o exterior desde a sua última entrevista?”
- “Para quais países você já viajou?”
- A lógica: Se o solicitante teve o visto negado, viajou para a Europa, e agora tenta novamente, a nova viagem demonstra o perfil de um turista legítimo.
5. Redes de Apoio e Contatos nos EUA
O oficial precisa descartar a possibilidade de que o solicitante tenha uma rede de apoio pronta para ajudá-lo a permanecer ilegalmente ou trabalhar nos EUA.
- “Você tem parentes, amigos ou namorado(a) nos Estados Unidos?”
- “Qual o status imigratório desse seu parente/amigo nos EUA?”
- A lógica: Omitir parentes de primeiro grau nos EUA é um erro grave. Se houver contatos lá, as perguntas se voltarão para o status legal dessas pessoas e a natureza do relacionamento.
Orientação Estratégica: A postura ideal é responder de forma direta e concisa. É fundamental evitar justificativas longas, tentar argumentar que o oficial anterior “foi injusto”, ou entregar documentos que não foram solicitados. As respostas devem estar em perfeita harmonia com o novo formulário DS-160 preenchido.





