
Os Estados Unidos anunciaram uma nova taxa de US$ 750 para solicitantes do visto B1/B2 — turismo e negócios — que desejam tentar agendar a entrevista consular em até dez dias úteis. A medida começou a valer em 1º de julho de 2026 e será aplicada, inicialmente, como um programa de teste até 31 de dezembro de 2026.
Mas é importante deixar algo muito claro: essa taxa não garante a aprovação do visto.
Ela também não substitui a taxa regular do visto americano, atualmente de US$ 185. Ou seja, o solicitante que optar por esse serviço pagará a taxa normal do visto e, além dela, poderá pagar os US$ 750 para tentar uma entrevista mais rápida, desde que haja disponibilidade no consulado escolhido.
Para o Dr. Witer DeSiqueira, advogado que atua há 27 anos com Imigração Americana, essa novidade deve ser vista com muita cautela pelos brasileiros.
Na avaliação do advogado, o problema não está apenas no valor da taxa, mas principalmente na forma como muitos solicitantes podem interpretar esse pagamento. Para ele, existe o risco de o brasileiro acreditar que, por pagar um valor alto, estará aumentando suas chances de aprovação — o que não é verdade.
“Pagar mais caro não significa estar mais perto da aprovação. A taxa pode acelerar a entrevista, mas não melhora o caso, não corrige falhas, não aumenta vínculos com o Brasil e não garante o visto”, alerta Dr. Witer DeSiqueira.
A Dra. Mara Pessoni, advogada e sócia do Witer DeSiqueira & Pessoni Law também reforça que, em matéria de visto americano, velocidade nunca deve ser confundida com estratégia. Um atendimento mais rápido pode ser útil em alguns casos, mas, se o perfil do solicitante não estiver bem preparado, a entrevista antecipada pode apenas antecipar uma negativa.
Esse ponto é essencial.
Muitos brasileiros já têm dificuldade em compreender que o pagamento de taxas ao governo americano não significa garantia de resultado. Algo parecido acontece com o chamado Premium Processing, utilizado em determinados processos migratórios. Nele, o solicitante paga uma taxa adicional para ter uma resposta mais rápida, mas essa resposta pode ser uma aprovação, uma solicitação de documentos adicionais ou até uma negativa.
Ou seja: paga-se pela rapidez da análise, não pela aprovação.
Na visão do Dr. Witer DeSiqueira, a nova taxa de US$ 750 segue uma lógica semelhante. Ela cria uma espécie de “fila rápida”, mas não entrega aquilo que o solicitante realmente deseja: a segurança de ter o visto aprovado.
Por isso, ele não recomenda que o brasileiro veja esse serviço como uma solução automática. Ao contrário, entende que a medida pode funcionar como mais um mecanismo de arrecadação, especialmente em um momento de alta demanda por vistos, com a proximidade de grandes eventos internacionais, como a Copa do Mundo de 2026 e os Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028.
A preocupação é simples: o governo cobra caro para acelerar a entrevista, mas não assume qualquer compromisso com o resultado final.
E, para quem está investindo em viagem, passagem, hospedagem, documentação e planejamento familiar ou profissional, uma negativa pode gerar frustração e prejuízo.
Por isso, antes de pagar qualquer taxa adicional, o mais importante é avaliar se o caso está realmente pronto para ser apresentado ao consulado. O solicitante precisa entender seu perfil, seus vínculos com o Brasil, o propósito da viagem, seu histórico migratório e a coerência das informações prestadas.
Uma entrevista rápida pode parecer vantajosa. Mas, sem preparo, ela pode ser apenas uma negativa mais rápida.
A recomendação do Dr. Witer DeSiqueira e da Dra. Mara Pessoni é que o solicitante não tome essa decisão apenas pela pressa. Antes de pagar uma taxa elevada, é fundamental analisar se o caso tem consistência e se a aplicação está bem estruturada.
No fim, a pergunta principal não deve ser: “consigo uma entrevista mais rápida?”
A pergunta correta é: “meu caso está realmente preparado para ser analisado?”
Porque, no sistema de imigração americano, pagar mais não significa necessariamente ter mais chance. E velocidade, sem estratégia, pode custar caro.
Dr. Witer DeSiqueira
Dra. Mara Pessoni
Advogados
Witer DeSiqueira & Pessoni an International Law Corporation





