
As autoridades imigratórias dos Estados Unidos anunciaram uma nova ofensiva contra fraudes no programa Optional Practical Training (OPT), mecanismo que permite a determinados estudantes internacionais em status F-1 trabalhar temporariamente no país após a conclusão dos estudos. Em coletiva realizada em 12 de maio de 2026, o diretor interino do ICE, Todd Lyons, afirmou que o governo identificou mais de 10.000 estudantes estrangeiros vinculados a empregadores considerados altamente suspeitos, ressaltando que esse número representa apenas a “ponta do iceberg” da investigação.
Segundo as autoridades, a apuração concentrou-se inicialmente nos 25 maiores empregadores do universo OPT, mas as diligências já revelaram indícios relevantes de fraude, incluindo empresas de fachada, endereços inexistentes, prédios vazios, portas trancadas e locais nos quais centenas de estudantes supostamente estariam empregados sem qualquer operação empresarial real. O próprio ICE já vinha alertando, em documento oficial publicado em março, para sinais de fraude em empregadores ligados ao STEM OPT, como estudantes que nunca compareciam ao local de trabalho, telefones inoperantes e inconsistências sobre a atividade empresarial declarada.
A repercussão do caso foi reforçada por veículos especializados. A Bloomberg Law informou que Todd Lyons classificou o programa como um verdadeiro “magnet for fraud”, enquanto o ICEF Monitor destacou que o governo sinalizou novas medidas de fiscalização e possíveis ações adicionais nos próximos meses. Em outras palavras, a mensagem das autoridades é clara: o ambiente regulatório ficou mais rígido, e estruturas artificiais criadas apenas para manter status imigratório estão no centro do radar federal.
Também chamaram atenção os relatos sobre esquemas de “pay-to-stay”, nos quais o estudante supostamente paga a um empregador ou intermediário para manter a aparência de vínculo profissional e, assim, preservar o status migratório sem uma atividade laboral genuína. Embora parte desses detalhes tenha aparecido em coberturas e análises secundárias do caso, eles são consistentes com o tipo de fraude que o ICE e o DHS vêm apontando em sua fiscalização recente.
Para estudantes internacionais, empregadores e instituições de ensino, o recado é objetivo: não basta ter um registro formal; é indispensável que o vínculo de trabalho seja real, verificável e compatível com as exigências do programa. O envolvimento em estruturas fraudulentas pode gerar consequências graves, incluindo encerramento de registro SEVIS, perda de status, dificuldades em futuras petições imigratórias, negativa de vistos e até exposição a investigações civis ou criminais, a depender dos fatos apurados em cada caso. O risco não se limita ao presente: irregularidades no histórico migratório costumam repercutir em pedidos futuros de visto de trabalho, ajuste de status ou residência permanente.
O caso reforça uma lição essencial no planejamento imigratório: atalhos quase sempre custam caro. Em um cenário de fiscalização crescente, o único caminho sustentável é a construção de uma estratégia jurídica séria, ética e integralmente compatível com as regras americanas. Para quem pretende estudar, trabalhar e construir futuro nos Estados Unidos, compliance migratório deixou de ser diferencial e passou a ser requisito de sobrevivência.
https://news.bloomberglaw.com/daily-labor-report/ice-director-calls-foreign-student-work-program-fraud-magnet
ICE / SEVP, Bloomberg Law e ICEF Monitor.





